25 de outubro de 2017

Depois de conquistar Londres e Nova York, Lucas Lamenha lança exposição individual em Maceió. Fique por dentro!

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Tem quem o compare com o neo-expressionista americano Jean-Michel Basquiat, seja pelos traços sem compromisso com técnicas ou pela ocupação do espaço, e tem quem o enxergue como único. Lucas Lamenha é músico, produtor, empresário e, além de tudo isso, é um artista com DNA próprio. Ele é alagoano – e isso já diz muito, né? Pois nesta quinta-feira (26), Lamenha inaugura sua segunda exposição individual em Maceió, intitulada “Alegoria da Alma“, aberta ao público na Galeria Gamma. Assimetria, liberdade das formas, desconstrução e cubismo parecem definir a pegada do que veremos por lá.

“Cheguei nesse estilo por instinto, veio naturalmente, não foi uma coisa pensada. Quando comecei a pintar testei algumas possibilidades e cheguei nesse universo que me identifico muito. É um traço particular, e isso pra mim é o grande legado que o artista deixa no mundo”, explica. Com fortes influências de Picasso, ele acredita que seu trabalho retrata a imperfeição humana. “Meus traços refletem sobre o caos do excesso de informação que estamos vivendo atualmente e sobre a necessidade de se compartilhar coisas positivas”.

“Alegoria da Alma” chega depois de duas exposições internacionais, a individual “Hi World”, em Londres, e a coletiva “A Growing Culture”, em Nova York. Ao todo são 40 obras originais criadas nos últimos dois meses. Segundo o artista, qualquer pessoa que for à abertura poderá sair de lá com alguma dessas peças. “Como a maioria das pessoas não está acostumada a adquirir peças de arte aqui em Maceió e ainda não as enxergam como um investimento, fiz questão que produzir obras de vários tamanhos para tornar a aquisição acessível a todos os tipos de público”.

Muito provavelmente você já ouviu falar de Lucas – inclusive aquiaqui e aqui! – e por seus projetos como a brand de camisetas Elvisringo, ou pela vez que ele expôs alguns de seus trabalhos no Pub Fiction. Abaixo, um pouco do bate-papo que tivemos com ele sobre essa nova fase da carreira!

  • Você desenha desde pequeno, certo? Como decidiu seguir carreira com o hobby?

Eu desenho desde os cinco anos, mas isso ficou guardado em mim por muito tempo. Mesmo sem ter ideia de que um dia seguiria essa carreira, sempre mantive o hábito de desenhar e criar personagens nas agências de publicidade em que trabalhei. Em 2009 cheguei a começar um curso de artes plásticas no Recife, mas terminei desistindo por falta de tempo e a vontade de me expressar na arte foi adiada por mais alguns anos. Em 2015 decidi começar a passar esses personagens para a tela sem compromisso nenhum com técnica. A ideia inicial era que fosse apenas um hobby pra aliviar o estresse da publicidade. Mas em poucos meses eu cheguei nesse estilo e resolvi criar um perfil exclusivo para esse conteúdo no Instagram (@lucaslamenha_artist). O feedback de pessoas de várias partes do mundo me fez entender que não havia mais volta e eu não tinha interesse nenhum em voltar. Dois meses depois de terminar minha primeira obra, comecei a receber propostas de pessoas querendo adquirir os trabalhos e isso não parou mais.

  • O que mais te inspira hoje?

Eu tenho algumas inspirações que levo sempre comigo: viagens, pessoas que mudaram ou tentaram mudar o mundo, experiências pessoais, referências da publicidade, astronautas, ficção científica, música, minha filha.

  • A gente leu que você ouve música enquanto cria. Quais artistas rendem pinturas para você?

Beatles, Bob Marley, Amy, Foo Fighters, Cake, Nirvana, Oasis, Beady Eye, além de muito folk music, que é meu estilo preferido hoje em dia, como The Head and The Heart, Blind Pilot, The Lumineers, Alexi Murdoch. Eu sou músico desde os 12 anos, então isso fica muito forte no meu trabalho e acho que terminou se tornando mais um diferencial do meu estilo.

  • Qual o saldo dessas duas exposições internacionais? O que elas representaram para você?

As exposições internacionais foram incríveis pra minha carreira, mas, principalmente, como experiência de vida. “Hi World”, minha individual em Londres, aconteceu em um dos bairros mais descolados da cidade e muita gente se surpreendeu positivamente com o que viu. Cheguei a receber convite para fazer uma intervenção na casa de um dos maiores colecionadores de street art da Inglaterra, mas como minha passagem por lá estava no final, terminou ficando para um outro momento. Já a minha coletiva em NYC foi parte de um projeto chamado “A Growing Culture”. Recebi um convite do idealizador do projeto para abordar meu ponto de vista em relação à dominação das grandes indústrias sobre os pequenos agricultores americanos e tive o privilégio de expor ao lado de artistas de várias partes do mundo. A exposição aconteceu no dia 14 de setembro no Chelsea e teve um público extremamente selecionado.

  • Finalmente uma grande individual em Maceió. O que “Alegoria da Alma” traz de diferente? Como você se apresenta neste trabalho?

2017 tem sido um ano muito especial pra mim, primeiro porque voltei a morar aqui depois de 12 anos trabalhando com publicidade no Recife, depois porque tive o privilégio de fazer duas exposições internacionais com apenas dois anos de carreira. Mas posso garantir que nenhuma delas tinha o acervo que Alegoria da Arte está trazendo, tanto em qualidade, quanto em quantidade. A Galeria Gamma tem um trabalho brilhante e muito persistente de fomentação da arte contemporânea na nossa cidade, que é carente demais nesse sentido. E nossa sinergia tem sido incrível na montagem da exposição, quero muito contribuir com eles nesse processo e torço para que nossa sociedade comece a dar mais valor a quem compra esse tipo de briga. O trabalho de curadoria deles também é excelente e isso me deixou muito tranquilo e feliz em relação ao projeto.

  • Você hoje já “vive de arte”?

Não. Além de artista plástico, também sou sócio de uma agência de publicidade (a LiraPub) e fundador da Elvisringo, a marca que traz os produtos exclusivos com minha arte. Mas mesmo com tantos projetos ao mesmo tempo, trabalhei de domingo a domingo nos últimos dois meses para trazer o máximo de peças inéditas e exclusivas para Maceió. Amo demais a minha terra e quero que essa exposição individual, com o tempo, venha a se tornar parte do calendário anual da cidade.

  • E o futuro?

Essas duas exposições, além de projetarem meu nome fora do Brasil, que é meu objetivo principal, abriram muitas portas pra mim, tanto que já tenho dois convites para exposições na Itália no ano que vem. Uma em Veneza e outra em uma das maiores feiras de arte do país, que acontece em Bologna.

SERVIÇO – Exposição “Alegoria da Alma”, de Lucas Lamenha
Abertura: 26 de outubro, das 19h30 às 22h
@ Galeria Gamma, na Av.Luiz Ramalho de Castro, 899 – Jatiúca
Visitação: de 27 de outubro a dezembro de 2017, de segunda à sexta, das 14h às 19h / sábados das 09h às 13h